Saturday, January 13, 2007

Visita guiada


A Dalila D'Alte enviou mail aos "Amigos". Aqui fica:

Conforme convite já enviado, está patente uma Exposição Antológica de Eurico
Gonçalves na Fundação Cupertino de Miranda, até 20 de Fevereiro.
No próximo sábado, dia 13, o pintor fará, a partir das 16 horas, uma visita guiada à sua exposição, que mostra um percurso da sua obra poética e plástica, de mais de 50 anos como Pintor e de cerca de 40, como Crítico de Arte (além de Pedagogo desde os anos 50)
A pureza e a espontaneidade da criança associada ao seu prazer lúdico de riscar, desenhar, pintar, construir, etc., não pôde deixar indiferente o autor, que é hoje um dos mais conhecidos especialistas da expressão plástica infantil em Portugal. Eurico Gonçalves cedo compreendeu a importância do grafismo, desde a garatuja como primeira manifestação gráfica, que revela as potencialidades expressivas de uma personalidade ainda embrionária.
Eurico é um caso isolado que, tendo plena consciência do seu próprio trabalho, raramente encontra o espectador ideal, interlocutor ou crítico capaz de elaborar um estudo em profundidade sobre o sentido da sua pesquisa, pelo que a sua obra está ainda longe de ser compreendida com a amplitude que merece.
Embora seja sobretudo reconhecido como pintor, também há quem veja nele apenas o crítico. A dificuldade está em compreender a sua personalidade de um modo mais global: o pintor que escreve e procura elaborar uma visão didáctica da linguagem artística.
A História da Arte dá-nos exemplos significativos de artistas que escreveram sobre si próprios, desde Leonardo da Vinci a Marcel Duchamp, passando por Klee, Kandinsky, Mondrian, Dubuffet. Entre nós, são conhecidos os casos de Almada Negreiros, Nadir Afonso, Fernando Lanhas e Joaquim Rodrigo. Todos eles realizaram trabalhos de investigação estética sobre a sua própria obra, mas nenhum deles fez crítica de arte e raramente se pronunciaram sobre as obras de outros artistas. Aí reside, justamente, a audácia de Eurico, que, sendo pintor, é também crítico de arte, que escreve não só sobre aqueles em quem encontra algumas afinidades, como sobre outros que divergem bastante da sua pesquisa pessoal. Eurico foi dos primeiros a defender valores de não fácil aceitação que, nos anos sessenta, eram discutidos ou recusados em salões colectivos (casos de Cesariny, Álvaro Lapa António Sena e Joaquim Bravo), hoje exaltados e consagrados pela Crítica mais jovem.
Apareçam!
Abraços
Dalila

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